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quinta-feira, 19 de maio de 2011

TUF 13 Episódio 7: Sangue, suor e chororô

Preparem-se psicologicamente para níveis extraordinários de MENINICE neste episódio. Len Bentley, do auge de sua humildade, não consegue crer que não foi o escolhido para “coringa” – e está disposto a infernizar a todos por causa disso. Brock Lesnar, por sua vez, faz questão de lembrar a todos que é um coach relapso (e um jogador de futebol americano surpreendentemente inábil). Junior Cigano, sempre fofo, subiu mais uns pontos na escala Ghandi, enquanto Chuck O’Neil, agora um mocinho asseado e composto, fez Len engolir suas infinitas e insuportáveis súplicas chorosas.
Após nos entediar até a morte com uma enxurrada de lamentações por não ter sido escolhido para a vaga de “coringa”, Len decide reclamar com o chefe Dana White. “Você devia ter aparecido com essa paixão toda há duas horas”, diz o careca com o tato habitual. Len, inconformado, diz que “teve seu sonho arrancado” – provavelmente esquecendo que nada disso estaria acontecendo se ele tivesse, ahn, GANHADO A LUTA. Brock lembra que todos tiveram a chance de ganhar e fazer apelos convincentes pela vaga. Um argumento que seria justo caso Brock tivesse de fato assistido às lutas (ou se dado ao trabalho de memorizar os nomes de seus pupilos, quem sabe).
Como eu já havia antecipado, Len decide descontar suas frustrações em Chuck, dando a entender que o adorável leprechaun desgrenhado não teria merecido a vaga. Um ótimo perdedor, vê-se logo. A essa altura, ninguém mais tem muito saco pra ladainha do Len, muito perdido em seus próprios delírios de grandeza para perceber o quão imbecil estava soando. Ah, bem. É só ele perder umas três lutas no UFC e se foder bastante (Efrain Escudero style) no mundo real para entender que não é 1/3 do badass que acredita ser. Observem.
Aproveitando o ensejo, Len começa a esculhambar Brock, que “deveria aprender a falar com caras crescidos com mais lutas que ele”. Hum. OK que o Len é babaca, mas ele tem um ponto aí. Beira o cômico ver o Brock dando esporrinho em caras que já fizeram bem mais lutas que ele. “Ah, mas o Brock lutou no UFC”, vocês dirão. Sim, mas ele não chegou lá exclusivamente por seus méritos atléticos ($$$$$$$$$$$$$$$). Óbvio que ele não virou campeão brincando de fazer bolinha de cuspe e mastigando tabaco, mas a única coisa que o diferencia da maioria daqueles caras, em princípio, foi ter conseguido uma oportunidade. Cadê a moral para essa superioridade toda? Mas enfim, voltando ao programa… Ramsey Nijem, a voz da razão (?), dá uma segurada no delírio autoindulgente de Len.
No treino do Team dos Santos, o clima é harmonioso. Cigano está sendo a coisa fofa de sempre, encorajando a galera. Javier parece focado, tudo está ótimo e Cigano espera que o pupilo faça jus às expectativas na hora do “vamos ver”.
Corta para Len, a murta-que-geme, que continua falando pra quem quiser ouvir que deveria ter conseguido a vaga. Pelo menos o cara teve os cojones para levar todo o chororô diretamente para o treinador. Brock primeiro fala que um dos motivos pelos quais Len não foi escolhido foi seu joelho. Depois, meio acuado, admite que a empolgação do Dana White com as últimas lutas pode ter influenciado na escolha de Chuck. Len decide que quer ser feliz e para de chorar. Brock começa a questionar sua própria escolha quando sente que Chuck está meio desmotivado.
Mas não parece ser o caso. Chuck decide raspar a barba mendiga para voltar a seu “antigo eu” e não deixar a imagem de um cara que só queria se divertir. Justo. E não é que o look “velho maluco com 30 gatos e três pombos-correios” não fez falta? Chuck, asseadinho e próprio, está determinado a fazer valer sua segunda chance. Rola uma intriguinha na casa entre Chris Cope – aparentemente escolhido como pária da edição – e Shamar Bailey, o encrenqueiro. Aparentemente, Chris estava gritando e Shamar ficou putinho e, mesmo após pedidos de desculpa, quer bater no Chris.

Comissão Atlética mantém punição a Chael Sonnen

Peço licença à Fernanda Prates. Hoje deveríamos publicar a aguardada crítica do sétimo episódio do TUF 13, mas há uma discussão importante a ser tratada. Em audiência ocorrida nesta tarde, a Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC) manteve por 4 votos a 1 a suspensão por tempo indeterminado a Chael Sonnen.

Como sabemos, o ex-desafiante dos pesos médios meteu-se numa enrascada sem precedentes na história do MMA. Depois de ser derrotado numa luta antológica contra Anderson Silva em agosto passado, Sonnen foi desmascarado pelo exame antidoping da CSAC, uma das mais rígidas dos EUA. No julgamento daquela acusação, Chael quase chorou e se enrolou em mentiras patéticas para (tentar) justificar o excesso de testosterona encontrado em sua amostra. Os comissários aplicaram suspensão de um ano de sua licença de lutador, que expiraria no dia 2 de setembro de 2011. Pouco tempo depois a CSAC aliviou a barra do americano, reduzindo a pena pela metade, adicionando irrisória multa de 2.500 dólares.

Quando Sonnen achava que se livraria rapidamente dos problemas e voltaria a lutar, levou um golpe ainda mais duro. Como desgraça pouca é bobagem, ele foi acusado de praticar crime federal de lavagem de dinheiro na época em que trabalhava como corretor de imóveis. Este processo ainda corre nos EUA e pode até levar o lutador à prisão.

Em vez de reduzir a pena pela metade, a CSAC juntou os dois casos (falso testemunho no caso do doping e lavagem de dinheiro)* e resolveu puni-lo por tempo indeterminado, sob a pertinente alegação que o comportamento de Sonnen é prejudicial ao esporte. Entenda-se por tempo indeterminado o seguinte: ele só poderá solicitar novamente a licença para lutar a partir de 29 junho de 2012. Ou seja, até lá, nada de lutar. E depois disso ele ainda será novamente alvo de avaliação da CSAC antes de ter sua licença reconcedida. Ou seja…





A audiência de hoje não foi transmitida, como a de dezembro fora. Mas o circo dos horrores deve ter dado as caras. Sonnen apelou. Disse que o UFC estaria planejando escalá-lo como técnico do TUF 14 contra Michael Bisping. Os dois se enfrentariam posteriormente pelo posto de desafiante número um de Anderson. Tentou alegar que a Comissão Atlética do Estado de Nevada (NSAC) o liberara para fazer o tal tratamento com testosterona na luta contra Nate Marquardt no UFC 109. Ameaçou se aposentar caso fosse suspenso hoje. Chamou até sua mãe para testemunhar. Não adiantou. A CSAC manteve a posição de defender o MMA e o suspendeu. Os vereditos foram duros. John Frierson falou: “É muito difícil para mim acreditar em sua segunda chance”. A procuradora Karen Chappelle continuou: “[Sonnen] sempre tem alguém para culpar… Não sei como se pode confiar nele”. Comissário Christopher Giza completou: “Sonnen deu declarações contraditórias que põem em xeque sua credibilidade e reabilitação”. George Dodd foi o único a aliviar, dizendo que nenhum atleta fora suspenso por crime do colarinho branco.

Em teoria o gancho valeria apenas para o estado da Califórnia, uma vez que as comissões atléticas são indepentendes. Mas o procedimento comum é que todas as comissões acatem as punições dadas por outras. Ainda mais quando a sentença é emitida pelo trio de ferro (Califórnia, Nevada e New Jersey, as três comissões mais fortes dos EUA, que criaram inclusive as Regras Unificadas de Conduta do MMA). Não há possibilidade de sancionarem uma luta de Sonnen em território americano durante o período da suspensão. E, mesmo fora dos EUA, só em outro evento. Os países que promovem shows do UFC que não têm comissões atléticas costumam acatar as normas da NSAC.

Sonnen, com seu comportamento patológico, abusou da sorte e vai pagar por isso. Por muito menos, Maiquel Falcão foi demitido pelo UFC. Business as usual, a organização tentou fazer o possível para livrar o americano, mais rentável que o brasileiro. Em vão. Sendo assim, nada de Chael Sonnen até o final de junho de 2012. Depois disso, ainda dependerá da boa vontade da CSAC, como dito antes, uma das mais duras dos EUA. Se você estava esperando por um TUF 14 redentor depois da arrastada temporada atual, esqueça. E pior, podemos praticamente dar adeus à possibilidade de uma histórica revanche entre Anderson e Sonnen.

De um jeito ou de outro, a justiça foi feita.

(*) A punição foi dada em cima do doping e do falso testemunho. O crime que está sendo julgado pela justiça comum serviu como uma teórica mostra do caráter de Sonnen e de sua (in)capacidade de recuperar a credibilidade afetada.

Foto: Ken Pishna/MMAWeekly

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bellator 44 e WFE Platinum 9

A noite deste sábado movimentou o MMA em vários lugares ao redor do mundo. Em Atlantic City o Bellator 44 apresentou o próximo desafiante do cinturão dos leves depois que o americano Michael Chandler derrotou o brasileiro Patricky Pitbull na final do torneio. O cubano campeão dos médios Hector Lombard conquistou mais um nocaute e aumentou sua série invicta, a maior do MMA mundial no momento. A vítima da vez foi o havaiano Falaniko Vitale. O russo Alexander Shlemenko garantiu mais uma participação no torneio dos médios ao vencer o americano Brett Cooper.
Já em Salvador o WFE Platinum 9 contou com uma disputa de cinturão e várias lutas interessantes. No combate principal o campeão dos pesados Ednaldo Lula manteve seu cinturão ao nocautear Edson Conterrâneo. André Chatuba não resistiu à terceira luta no período de um mês e acabou nocauteado por Zezão Trator. Os pesos leves Luciano Azevedo e Diego Braga fizeram um combate equilibrado, com resultado final contestado.

Bellator 44: Michael Chandler conquista o torneio dos leves; Hector Lombard amplia invencibilidade

Mais uma vez um lutador brasileiro é superado pelo wrestling de um americano
Não era surpresa para ninguém que Chandler era um wrestler competente, com um condicionamento cardiorrespiratório acima da média. Ainda assim, mais uma vez um atleta brasileiro sucumbiu diante da maior pedra no sapato do MMA nacional.
O primeiro round foi muito equilibrado. Ambos combinavam socos com chutes baixos quando Chandler acertou um chute na região genital de Freire. O brasileiro se recuperou e conseguiu empatar em 10-10 na nossa contagem. O segundo seguia no mesmo ritmo, até que, num clinch, Chandler acertou uma joelhada na mesma região proibida. A segunda manobra já deveria ser punida com a dedução de um ponto, mas o árbitro Keith Peterson apenas deu o tempo para o brasileiro se recuperar. O americano voltou melhor, conseguiu uma queda, acertou bons socos e cotoveladas no ground and pound para vencer por 10-9. O terceiro round novamente contou com um chute na virilha de Pitbull. Conforme especificado nas Regras Unificadas de Conduta do MMA, três faltas não-intencionais provocam desclassificação do lutador. Em vez disso, Peterson apenas tirou um ponto do americano. A luta seguia em trocação equilibrada até o americano conseguir um double-leg. Outra queda, mais ground and pound e Patricky não conseguiu se safar. Pelo ponto deduzido, apontamos 9-9 e 29-28 a favor de Chandler.
Os juízes Jeff Blatnick, John Bylk e Suzanne Sanidad marcaram 29-27, tornando assim Michael Chandler o campeão do torneio dos leves da 4ª temporada.
Em luta casada que não valia o cinturão, o campeão dos médios Hector Lombard começou em ritmo lento a luta contra o havaiano Falaniko Vitale, que se aproveitou do maior alcance para se manter longe dos punhos ferozes do cubano. A tática deu certo por dois rounds, que terminaram empatados em nossa contagem. Até que veio o terceiro. A trocação começou equilibrada até que Vitale cometeu a loucura de buscar o corpo de Lombard. Deu de encontro com um gancho violentíssimo de direita que explodiu em seu queixo. Niko tombou como se estivesse bêbado, desabando inconsciente de costas no chão. O árbitro Dan Miragliotta correu para parar a luta, mas não era necessário. Lombard esticou sua série invicta para 23 lutas, com 18 vitórias seguidas. Ele não perde desde 2006.
Campeão da 2ª temporada, o médio russo Alexander Shlemenko garantiu sua vaga no próximo torneio da categoria num quebra-pau frenético contra Brett Cooper. Depois de 10 minutos disputados num ritmo forte, com um round para cada lado, os lutadores deixaram o melhor para o fim. Visivelmente exaustos, partiram para a pancadaria desenfreada, trocando golpes como se não houvesse amanhã. O russo venceu o terceiro por 10-9 e a luta por 29-28. Na contagem oficial, Suzanne Sanidad marcou 30-27, Jeff Blatnick apontou 30-28 and John Bylk viu it 29-28, todos a favor de Shlemenko.
Foto: Keith Mills/Sherdog.com

WFE Platinum 9: Ednaldo Lula mantém cinturão dos pesados; Luciano Azevedo tem vitória tirada pelas papeletas

Ednaldo Lula foi mais um entre vários que arriscaram chutes frontais em Salvador
O WFE 9 foi montado com 3 disputas de cinturão e outras lutas bem casadas. Algumas contusões acabaram atrapalhando o card original, mas ainda assim Salvador presenciou mais um evento empolgante.
Edson Conterrâneo fez graça, chegou até a subir num banquinho na pesagem para encarar o campeão Ednaldo Lula. Mas na luta principal da noite ele não poderia usar este recurso. Com Junior Cigano em seu córner, Lula usou o boxe para manter o baixinho longe. Aproveitou-se de um escorregão de Edson para cair por cima e trabalhar o ground and pound e vencer o round inicial. Conterrâneo sorria a cada golpe que recebia no segundo. Seguindo as orientações de Cigano, Ednaldo girava e usava jabs, diretos e cruzados para manter a distância. No minuto final o campeão apertou o ritmo. Juntou o desafiante na grade, defendeu uma queda no desespero e encaixou quatro diretos em cheio, fazendo Edson desabar nocauteado.
Pela categoria dos meio-médios, Zezão Trator fez valer sua maior densidade muscular, manteve a luta em pé e dominou André Chatuba. Na metade do primeiro round um cruzado de esquerda de Zezão no contragolpe entrou em cheio no queixo de Chatuba, que desabou. Trator trabalhou por cima na meia guarda e venceu o round. No segundo, Trator ameaçou em duas oportunidades acertar uma bomba. Na terceira não teve jeito: uma dupla de direto de direita e cruzado de esquerda mandou André para a lona. Zezão ainda acertou 3 torpedos no ground and pound, fazendo o árbitro interromper o combate.
Fica a nossa ressalva: este nocaute foi perigoso e desnecessário. Chatuba lutou três vezes num espaço de 30 dias e foi derrotado nas duas últimas. É importante que os atletas entendam que estão colocando suas vidas em risco com este tipo de atitude.
Em esperado duelo de pesos leves, Luciano Azevedo e Diego Braga fizeram um combate à altura das expectativas. No confronto de estilos, o striker Diego começou com alguns bons momentos, encaixando belos golpes, mas o craque da luta livre esportiva conseguiu levar a luta para baixo, num round que acabou empatado pela nossa contagem. O segundo estava equilibrado até Luciano conseguir um single-leg e pegar as costas. O atleta da RFT socou tentando abrir espaço para encaixar um estrangulamento e venceu claramente o round. O terceiro foi novamente equilibrado, com Diego tomando a iniciativa e Luciano tentando defender o resultado. Num round equilibrado, tanto o empate quanto a vitória de Diego Braga seria marcação aceitável. Luciano saiu do octógono bastante irritado com o resultado oficial de empate. Como eu não vi vantagem do atleta da RFT no último round, a irritação não foi justificada.
Resultados completos da noite:
  • Ednaldo Lula venceu Edson Conterrâneo por nocaute técnico (4:57, R2)

  • Zezão Trator venceu André Chatuba por nocaute (1:20, R2)

  • Luciano Azevedo empatou com Diego Braga

  • Bruno Menezes venceu Eduardo Kiko por decisão unânime

  • Neilson Gomes venceu Ciro Bad Boy por decisão unânime

  • Fernando Almeida venceu Beto Ninja por desistência (socos) (4:28, R1)

  • Tiago Sartori venceu Altair Alencar por submissão com mata-leão (2:01, R3)

  • Hugo Wolverine venceu Rafael Sobral por decisão unânime

  • Cléber Samurai venceu Hengel Jandrade por decisão unânime

Foto: Guilherme Cruz/Tatame

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lesnar está fora e Cigano enfrenta Carwin no UFC 131

Num comunicado especial na tarde de hoje o UFC informou que Brock Lesnar não vai mais participar da luta principal do UFC 131. O ex-campeão dos pesados está novamente com diverticulite, doença que o deixou afastado entre as lutas contra Frank Mir e Shane Carwin e o deixou em risco de morte.

O próprio Carwin agora será o novo adversário de
Junior Cigano na luta principal do UFC 131. Sendo a organização, o vencedor será o primeiro desafiante de Cain Velasquez. O estreante no UFC Jon Olav Einemo, que enfrentaria Shane no mesmo evento, ficou sem oponente definido. Lesnar falou que ainda não definiu se vai passar por cirurgia e disse que não pretende abandonar o MMA.

A
equipe do MMA Brasil vai gravar um podcast especial para discutir esta alteração, bem como a confusão que a divisão dos pesos leves virou.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Tributo ao “Natural”

Depois de duas tentativas, parece que desta vez é verdade. Aos 47 anos, rico e famoso, Randy Couture decidiu que não tem mais necessidade de ficar levando soco (e chute) na cara de oponentes 15 anos mais jovens. Dono da Xtreme Couture, um centro de treinamento de primeira linha, único atleta a ter conquistado cinturão dos pesados e meio-pesados do UFC e integrante do Hall da Fama da maior organização do MMA mundial, o “Natural” resolveu se aposentar para cuidar da vida fora do octógono.

A equipe do MMA Brasil se juntou para render uma justa homenagem ao “Capitão América”, sem dúvida um dos maiores nomes da história do MMA mundial.
A primeira vez que o MMA brasileiro “caiu do cavalo”

Por Alexandre Matos

Eu poderia falar sobre o cara que ignorou a barreira do tempo para fazer sucesso num esporte profissional de alto rendimento depois dos 40 anos. Mas uma passagem da carreira do Couture me marcou. O UFC 15 registrou o primeiro duelo dele contra a nova sensação Vitor Belfort. Então com 34 anos, imaginei que Randy não seria páreo para o dínamo de 20 anos que assobrara o mundo no UFC 12 e 13, e que dava sequência ao domínio brasileiro iniciado por Royce Gracie e Marco Ruas. Mas Couture me mostrou que o Brasil não era invencível no novo esporte. Mais do que isso, provou que os wrestlers dariam muito trabalho aos nossos faixas pretas de jiu-jitsu dali em diante. Circulando para longe do temido punho esquerdo do “Fenômeno” e encurtando o espaço com o clinch e o dirty boxing que o tornariam famoso, Randy surrou Vitor e fez me ligar na dura realidade pela primeira vez no MMA.
A “nova” cara do MMA

Por Diego Maka

O “Natural” Randy Couture foi um cara que fez muito bem para o nosso esporte, tanto dentro quanto fora do cage. Estreou no octógono do UFC com 33 anos, idade com a qual muitos lutadores já estão pensando em parar. Mas idade nunca significou muita coisa para Couture. O “Capitão América” trouxe uma abordagem nova para o MMA, com muita estratégia, análise do oponente, plano de jogo e um nível de luta greco-romana nunca antes visto no octógono. Além disso, ajudou a mudar a imagem do lutador de MMA nos Estados Unidos, e com todo seu carisma, simpatia, trabalho duro e respeito aos adversários, conquistou uma legião de fãs e foi a cara do esporte no país por muitos anos. Por tudo isso, Randy Couture será sempre lembrado com muito carinho por todos os fãs do nosso esporte.
Um atleta de verdade

Por Diogo L. de Souza

O apelido dado a Randy já resume o atleta nato que sempre foi e sempre será lembrado. Três vezes campeão dos pesos pesados e duas vezes dos meio-pesados carimbam uma carreira de sucesso de uma lenda do MMA e do esporte.

Atleta versátil e dono de um dos ground and pounds mais poderosos do MMA (comprovado pelo National Geographic Channel) Randy marcou história em inúmeras batalhas dentro do octagon. Com Rodrigo Minotauro no UFC 102 fez um dos duelos que serão sempre lembrados por todos que vivem o MMA. O próprio Rodrigo admite: “A cotovelada do Randy Couture foi a mais forte que já levei. O cara é muito bom!”

Randy deixa um legado para os novos talentos do MMA como um “cara” fora do comum, de condicionamento invejável e fora dos padrões do esporte. Só temos a agradecer toda a contribuição positiva deste lutador que simbolizou muito bem o significado da palavra “atleta”.

UFC Rio: ingressos só em junho

Os fãs de MMA terão de esperar pelo menos mais um mês para comprar ingresso para o UFC Rio, que será realizado dia 27 de agosto, na HSBC Arena. Dana White, presidente do UFC, vai estar na capital fluminense em 16 de junho para anunciar como será a comercialização dos bilhetes.

A assessoria do havia afirmado que os ingressos seriam vendidos a partir de maio, mas Dana White não pode comparecer ao Brasil para anunciar as lutas principais. Os organizadores foram obrigados a adiar o encontro. No evento de anúncio, a expectativa é da presença dos lutadores confirnados para a noite de combates, como Anderson Silva, Mauricio 'Shogun' Rua, Yushin Okami e Forrest Griffin

terça-feira, 10 de maio de 2011

Lutadores terão seguro para acidentes fora dos ringues

Os organizadores do UFC confirmaram nesta segunda-feira que seus atletas (por volta de 350) passarão a ter cobertura financeira para acidentes fora dos ringues. A Zuffa LLC, empresa dona do evento, afirmou que o seguro vai passar a valer 24 horas por dia. Estarão cobertos, por exemplo, contusões em treinamentos, acidentes automobilísticos e até emergências odontológicas. 
“Para que o esporte continue crescendo, vamos garantir a cobertura de seguro adicional para os atletas fora dos ringues", disse Dana White, presidente do UFC.
 
Por enquanto, os seguros dos atletas cobrem apenas lesões sofridas durante as lutas. A seguradora responsável pelo projeto será a americana Houston Casualty Insurance Company.
 
“Estamos felizes por proporcionar uma estrutura que permita a nossos atletas receber tratamentos para eventuais acidentes sofridos durante as preparações para os combates”, disse Lorenzo Fertitta, dono da fraquia UFC.

sábado, 7 de maio de 2011

GSP ou Anderson? Amanhã o melhor lutador do mundo estará em ação

Você pode ser fã de Georges St-Pierre. Pode vibrar com as atuações de Anderson Silva. Esta discussão vai longe, provado pela quantidade de comentários nos nossos últimos artigos. Mas nem o mais fanático torcedor das maiores estrelas do MMA é capaz de discordar que o melhor atleta do mundo em qualquer esporte de combate atualmente é Manny Pacquiao. Campeão em inacreditáveis oito categorias de peso diferentes, o que Pac-Man vem fazendo nos últimos cinco anos é algo com poucos precedentes na história.

Amanhã o superastro filipino de 32 anos terá mais um duro desafio pela frente. Depois de enfrentar – e surrar – oponentes muito maiores como Oscar De La Hoya, Ricky Hatton, Miguel Ángel Cotto e Antonio Margarito, Pacquiao (51-3-2, 38 KO) vai colocar seu cinturão dos meio-médios da OMB em jogo contra o veterano ex-campeão mundial “Sugar” Shane Mosley (46-6-1, 39 KO), sete anos mais velho. O duelo vai acontecer no MGM Grand Garden Arena, na cidade de Las Vegas.

Mosley também vem enfrentando competição dura nos últimos tempos. A diferença fica nos resultados. Se ele nocauteou Margarito e Ricardo Mayorga, foi derrotado por decisão unânime por Floyd Mayweather Jr e Cotto. Em sua última apresentação, empatou com Sergio Mora. Tem em sua defesa o fato de nunca ter sido nocauteado na carreira.

O americano disse ontem em entrevista pelo Twitter que vai lutar com inteligência, velocidade e força. Disse também que vai nocautear Pacquiao. Falou que está preparado porque lutou contra adversários rápidos. É louvável a confiança de Mosley. Afinal, se ele próprio não confiar em si, quem vai? Mas a verdade é que ele provavelmente estará em apuros amanhã.

Pacquiao se tornou a maior máquina de lutar do mundo. Aliou poder de nocaute a uma velocidade incrível. Poucos atletas em qualquer modalidade esportiva são tão bem condicionados fisicamente quanto ele. E o mais assustador: o camarada ainda está evoluindo. Diziam antes que seu estilo agressivo deixava enormes brechas defensivas. Ao terminar as lutas contra oponentes maiores sem uma marca no rosto, Manny tirou este tipo de crítica de seu caminho. Falavam também que ele era unidimensional, que se movimentava sempre do mesmo modo. O “carrossel” mostrado nos últimos tempos também mostrou que isso faz parte do passado. Para criticar o filipino hoje, passaram a dizer que ele não se dedica tanto mais à profissão (Manny é deputado em seu país) ou que não respeitaria seus oponentes. Papo furado. O treinador Freddie Roach tirou o máximo de seu pupilo na preparação.

Em seu auge, “Sugar” seria motivo para tirar algumas noites de sono da equipe de Pac-Man. Hoje, quase quarentão, foi escalado para a luta por ser um rosto conhecido, em condições de alavancar vendas de ingressos e pay-per-view. Mas a realidade dá conta que Mosley não vence uma luta desde janeiro de 2009. Para piorar, certamente não vai aguentar o ritmo do oponente por 12 assaltos. Solução: aproveitar o começo da luta para tentar resolver a parada, como quase conseguiu contra Mayweather. Mas até isso será complexo.

Pacquiao aguenta pancada, está escolado em ser socado por oponentes mais fortes. Nenhum deles o colocou em perigo. Para piorar a situação do veterano, Manny é um lutador que costuma contragolpear com força quando sofre um ataque. Difícil não é acertar Pacquiao, é quase impossível fazê-lo parar de bater. E o filipino ataca de todos os lados, de todos os modos, em velocidade esfuziante.

Freddie Roach tem pilhado seu pupilo para buscar o nocaute e superar Mayweather, que venceu Mosley por decisão unânime. Já que Floyd não quer enfrentar Pacquiao, então Pac-Man vai destruindo os oponentes do Pretty Boy. O filipino não pode errar, pois o americano tem punch suficiente para causar um estrago. Mas sinceramente acho que as chances disso acontecer são remotas. Eu apostaria que Mosley vai conhecer sua primeira derrota antes do final dos assaltos regulamentares.

Por mais que a popularidade do MMA tenha crescido muito nos últimos tempos e que muitos digam que a nobre arte está morrendo, as grandes lutas de boxe ainda superam as de MMA tanto em vendas de pay-per-view quanto em atenção da mídia mundial. Pacquiao x Mosley provavelmente será o evento de lutas que mais vai vender pacotes em 2011 e a única possibilidade de algo bater o resultado seria outra luta dele, ou de Mayweather.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O médico acertou ao não parar a luta de José Aldo?



Muito se discute no mundo do MMA sobre gravidade de lesões, potenciais riscos aos lutadores, sequelas pós-aposentadorias e o assunto é sempre trazido de volta aos holofotes após uma lesão grave ou imagem forte que surge nos diversos eventos ao redor do mundo. No UFC 129 não foi diferente. Na luta entre José Aldo e Mark Hominick vimos o “filho” que brotou na testa de Hominick após o castigo do brasileiro, gerando diversos posts em fóruns especializados, coluna no “Ask the Doc” do site MMAJunkie, dentre outros, discorrendo sobre os riscos, se a luta deveria ser parada, sobre as consequências de uma lesão como aquela, etc e tal.



No MMA, ou pelo menos nos eventos de maior nível, temos (e recomendamos ter) sempre um médico com experiência na área de Trauma/Urgência. Este profissional fica responsável por avaliar a necessidade de interromper a luta, as condições clínicas em nocautes e avaliar as possíveis urgências que possam surgir. Nos EUA estes profissionais são indicados pelas comissões atléticas estaduais, sem vínculo com a organização que promove o evento.

Voltando a Aldo x Hominick… Bem, existem lesões e lesões. Não necessariamente as que causam grande impacto visual são de maior gravidade em relação àquelas que parecem ser inofensivas aos nossos olhos. Algumas lesões bem feias como hematomas, lacerações, cortes, embora sangrem bastante e assustem, na imensa maioria das vezes são superficiais e agregam risco mínimo aos atletas. Já outras lesões como rompimento de vísceras ocas (fígado e baço), embora nem sejam visíveis a olho nu, vão se manifestar de forma extremamente grave, como hemorragias e possível evolução para choque, necessitando de tratamento urgente, rápido e eficaz para salvar a vida do atleta.

Falando sobre o que aconteceu na luta em questão, Hominick desenvolveu um hematoma simples na testa, ou seja, aquele “alien” brotado era nada mais do que uma coleção de sangue de algum vaso superficial rompido pelos golpes, nada que tenha deixado a sua vida em risco, por mais assustador que tenha parecido.

O tratamento deste tipo de hematoma é simples. Na maioria das vezes o mesmo é reabsorvido naturalmente pelo corpo. Em alguns casos, uma simples aspiração com agulha comum e compressão com curativo e gelo resolve. Como o atleta não estava com a visão comprometida, orientado, lúcido e sem nenhuma repercussão clínica, na minha opinião o médico da Comissão Atlética agiu corretamente, permitindo que a luta continuasse sem fazer uma interrupção médica, o que daria a vitória automaticamente ao oponente por impossibilidade de continuar o combate por razões médicas.


Foto disponibilizada hoje por Mark Hominick em seu Twitter

Esperamos que esta seja a primeira coluna de muitas aqui no MMA Brasil e contamos com a colaboração e a sugestão de vocês para o crescimento do site, com pedido de temas, discussão de dúvidas e assuntos médicos gerais ligados ao MMA. O site encontra-se aberto para novas discussões.

Thiago Rachid Jaudy é Médico e atualmente Residente de Cirurgia Geral do HGU – Hospital Geral Universitário em Cuiabá, Mato Grosso.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Meio Dragão, meio Fênix

Semana passada, a Renata Aymoré escreveu (muitíssimo bem) sobre Georges St-Pierre, seu lutador preferido. Inspirada pela bela homenagem dela, e embalada pela vitória espetacular de ontem (sábado), decidi escrever sobre o meu lutador preferido: Lyoto Machida. Quem me conhece sabe que não é de hoje que sou completamente fascinada pelo Dragão (a quem carinhosamente me refiro como “Lyotuxo Linduxo”), por inúmeros motivos. Sendo que a maioria deles eu sequer sei explicar. Por que você torce por certo time, curte certo filme ou quer ouvir certa música no seu casamento (“Endless Love” não, peloamordedeus)? É o tipo de pergunta que só dá para responder até certo ponto. Mas eu vou tentar, da melhor maneira que consigo, contar para vocês porque acho Lyoto Machida simplesmente foda. Digdin digdin.
Lyoto é diferente. É diferente na postura, na base, no porte, na movimentação. “É o karate”, vocês vão dizer. Também, claro. Mas a maior parte é Lyoto. Mais especificamente, cabeça de Lyoto. Chinzo, dizem por aí, tem mais karatê que o irmão, mas não tem o mesmo MMA (nem perto, mal ae). Tem base parecida, inclusive. Mas não se move igual. Não sai igual, não contra-ataca igual e não pensa igual. A verdade é que ninguém pensa igual ao Lyoto dentro do octógono. E é por isso que ele foi aos poucos ganhando ar de lenda, de criatura mística, de coisa meio sobrenatural. Lyoto, e disso soubemos desde cedo, era diferente.
Mas ele pagou um preço por isso. Ser diferente nunca é fácil. E todo mundo que já comeu mirabel de morango sozinho no recreio sabe disso. “Prego que se destaca toma martelada”, é o ditado. E Lyoto já tomou lá suas marteladas na cabeça. Antes de virar lenda, bambeou no UFC. Invicto. Porque “não nocauteava”, porque “não era incisivo”, porque “fugia da luta”. Rodando de um lado pro outro, trabalhando por fora, com aquela base esquisitinha. Lyoto parecia a criancinha meio desconjuntada com um talento que ninguém conseguia entender muito bem ainda. O que queriam era nocaute. Só isso o separava do cinturão. E então era isso que ele ia fazer. Thiago Silva, coitado, não deu nem pro cheiro. Aí vinha Rashad Evans. Era pra ser O cara, A luta. Não deu nem tempo. Rashad sucumbiu como uma bonequinha de pano, deixando ali o título, um pouco da dignidade e uma foto que vai entrar para a posteridade como uma das mais comicamente medonhas do UFC.
A criancinha prodígio cresceu e virou gênio gente grande. E com um quê de popstar. A matéria da Rolling Stone inaugurou uma era para o MMA brasileiro. O “briguento do vale-tudo com orelha de couve-flor” dava lugar ao atleta esforçado e articulado. Lyoto não sabia se mover só dentro do octógono. Sabia se mover fora dele, com os repórteres, com os fotógrafos, com os fãs. Lyoto começava a fazer no Brasil o que atletas como Randy Couture e Georges St-Pierre faziam lá fora. Virou porta-voz. Era capaz de vestir um terno e parecer confortável dentro dele. Poucos reconhecem o que isso significou para o nosso MMA. Como alguém que está fazendo uma monografia sobre o assunto, posso afirmar: significou muito. Um lugar numa revista de variedades era sinal de novos tempos. E precisávamos de alguém com o fator-surpresa dentro do octógono e o fator-eloquência fora dele para criar isso.
Lyoto MachidaA lua-de-mel durou menos que o esperado. O problema de se chegar ao topo é o número de gente que está só esperando você cair. Lyoto virou muito mito, muito estrela, muito rápido. Era questão de tempo. Começou com Maurício Shogun, parte I. Luta linda – minha preferida de todos os tempos – com dois grandalhões que mantiveram um ritmo louco por cinco rounds. Sem um único momento de chatice. Ou era estudo, ou era porrada. Nada de agarração chata pra ganhar tempo. Nada de “travar pra respirar”. A luta depois foi definida com um clichê brabo: “O Tigre o Dragão”. Mas, bem, alguns clichês são clichês por um motivo – e esse teve muitos. O tipo da luta que qualquer um podia ter levado. Pra mim, foi Lyoto. Pros juízes, também. Mas pra muita gente não foi. E lá foi aquela coisa ignorante, de culpar o atleta por uma decisão dos jurados. De achar que Lyoto tinha “roubado” a vitória. Revanche? Partiu. E lá foi Lyoto tentar mostrar pra todo mundo que merecia aquele metal na cintura.
Lyoto sempre se alimentou de crítica. Em uma entrevista que fiz com o Dragão (mesmo por telefone, eu tremia e suava como uma suininha, até a voz dele intimida, impõe, que pessoa foda), ele explicou isso.
“Sempre procurei encarar a crítica como importante para o meu crescimento. Quando ouvimos críticas, ainda mais de especialistas, é sinal de que está faltando algo. Por isso, procuro analisar e melhorar, sem ficar chateado.”
Lyoto comeu as críticas, digeriu e entrou para a segunda luta com o peso do mundo nos ombros. Se me perguntarem, digeriu demais. Cerebral e cauteloso, Machida é um daqueles lutadores amaldiçoados com o fardo de pensar demais. Maldição, eu digo, porque não vai deixá-lo nunca. Faz parte do que ele é. A luta começou bem. Shogun tava com o – lá vem o clichê de novo – olho de tigre. Mordido. Mostrou a que veio e lá foi Lyoto conhecer a derrota pela primeira vez. E sem cinturão. Para alguns, ficou o senso de “justiça”. Para outros, o de tristeza, de pena… Pra mim, ficou a expectativa de ver o que o Dragão ia preparar pra gente. Respirei aliviada quando vi que era o “Rampage” Quinton Jackson. Admito, subestimei. E lá foi Lyoto mostrar que, ao contrário do que estavam falando, não tinha perdido a verve. O enigma não estava decifrado. Não é porque um lutador o encontrou que todos iam encontrá-lo. Fiquei nervosa como se fosse disputa de cinturão. Eu queria tanto aquela vitória, quase como se fosse comigo. Era pessoal.
Mas não veio. Novamente, Lyoto pagava pela sua diferença. O tal “controle do octógono”, parece, significava ficar no centro dele. Miopia, se me perguntarem, mas os critérios são esses. Rondando, contra-atacando, “comendo pelas beiradas”, Machida mesmo sem querer estava abrindo mão dessa pontuação. E lá foi para sua segunda derrota. E o mundo falando “poxa, acho que ele não era lá aquelas coisas pra início de conversa”. TOLINHOS.
Aí que começa a parte feliz da história. Eu quase queria que Lyoto se aposentasse hoje. Por mais que seja horrível pensar em não vê-lo em ação de novo, eu queria que as pessoas guardassem ele como foi no UFC 129. Um primeiro round exemplar, que pra um desavisado parecia quase sem graça, mas que pra um fã do Lyoto estava bem claro. Virei pros meus amigos, já naquelas palavras meio emboladas de álcool (não consigo mais ver Lyoto de cara limpa, é nervoso demais), “vocês vão ver só. Ele achou o Couture e vai voltar pro segundo prontinho pra dar o bote”. Ninguém entendeu nada. Não entenderam porque eu estava longe de todo mundo, de pé, roendo unha (achei que tivesse parado com esse hábito, inclusive), vendo nervosa. E aí veio aquele chute. Nas palavras do Alexandre:
“Chute frontal voador, chute da gaivota, golpe da garça, mae tobi geri. Chamem do que quiser. Eu chamo de genialidade. Com um chutaço que explodiu na ponta do queixo, Lyoto mandou um dente de Couture pro espaço e apresentou a aposentadoria à lenda.”
Lyoto mandou um dente de Couture pro espaço e apresentou a aposentadoria à lenda
Meio desconjuntada, gritei muito mesmo, de maneira ridícula, como se fosse gol do Flamengo na final da Libertadores (me deixa sonhar de novo, vai). Mais ainda. Não sei nem explicar o porquê, mas aquilo me vingou. Vingou todas as vezes que tive que falar pra alguém “cala a boca, hater, o Lyoto é foda”. Assim mesmo, super articulada. Não se mexe com Lyoto comigo, todo mundo sabe disso. Não se torce contra ele na minha presença, e não se assiste a luta dele comigo sem vestir a camisa. Viro criança mongol, irracional, torcedora mesmo. Detesto a irracionalidade esportiva, odeio gente perdendo a razão. Mas a gente sempre perde, né? Cedo ou tarde. Com Lyoto, falo com orgulho que não quero ter razão. Ele é foda, digdin digdin, e ai de quem ousar falar o contrário.
Lyoto Machida comemora a vitória sobre a lenda
Infrutífero é tentar comparar chutes de Anderson e Lyoto. Os dois foram lindos, plásticos, com ares de cinema. Mas o quão lindo é ver o carateca calar o bullying do mundo com o golpe que vingou o imortal Daniel LaRusso? Lyoto mandou o velhinho – com todo respeito – pra aposentadoria, com uma derrota a mais e um dente a menos. Randy, se vocês não lembram, foi quem pediu Lyoto. E foi o que recebeu. Cada um tem o desfecho que merece, e, bem ou mal, o Natural saiu com um final digno de Hollywood. Final com gosto de redenção para Lyoto, que parece ter encontrado, enfim, o almejado equilíbrio. Arquitetou como sempre, mas sem se deixar pensar demais. Adotou a cautela de sempre, mas sem se segurar demais. Reencontrou seu jogo, seu estilo, e, a julgar pelos olhinhos brilhando, o júbilo de lutar.
“Equilíbrio é chave. Equilíbrio bom, karatê bom. Tudo bom. Equilíbrio ruim, melhor arrumar as malas e ir pra casa. Entende?”
Sim, Sr. Miyagi, acho que Lyoto-San entendeu bem.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

UFC 129 St. Pierre vs Shields: Análise do card principal

Na épica noite em que o UFC 129 registrou o maior público (55.724 torcedores) e renda (US$12,075 milhões) da história do MMA na América do Norte, fazendo a Zuffa botar a mão no bolso nas premiações, tivemos o privilégio de assistir a mais um evento de altíssimo nível. Em mais outra performance cirúrgica, Georges St-Pierre venceu Jake Shields e manteve o cinturão dos meio-médios. Mesmo fim teve José Aldo, que seguiu campeão dos penas ao bater Mark Hominick. Mostrando que Steven Seagal é bom de marketing, Lyoto Machida aplicou um dos nocautes mais espetaculares dos últimos tempos, aposentando Randy Couture. Um nocaute relâmpago marcou a vitória de Vladimir Matyushenko sobre Jason Brilz, enquanto Ben Henderson passou por Mark Bocek.

Georges St-Pierre (CAN) venceu Jake Shields (EUA) por decisão unânime (50-45, 48-47, 48-47)

Mais uma vez GSP venceu. Mais uma vez GSP não conseguiu finalizar o combate antes da hora. Mais uma vez GSP não correu risco em momento algum da luta. Mais uma vez as pessoas reclamam de GSP. Mais uma vez GSP defende seu cinturão com sucesso, contra um oponente de peso.
Sabendo que o oponente é dono de um jogo de chão perigosíssimo, St. Pierre entrou com o intuito de manter a luta em pé. Dono de uma taxa de defesas de quedas das mais elevadas do MMA em todos os tempos, o campeão conseguiu frustrar todas as tentativas do desafiante de levar o combate para sua zona de conforto.
Assim como na vitória sobre Josh Koscheck, GSP usou seus poderosos jabs para dominar o combate. Num deles o golpe pegou Shields de encontro, mandando-o a knockdown no round inicial. Em outras oportunidades os jabs eram complementados por diretos e chutes baixos ou girados no corpo.
Na primeira metade do segundo round o americano acertou uma direita em cheio no rosto do canadense. No golpe, o nó da mão de Jake pegou dentro do olho de Georges. Resultado: o canadense lutou mais de 60% do combate piscando, incomodado, vendo tudo embaçado de seu olho esquerdo.
Depois do primeiro round, em outras duas oportunidades as bombas de GSP mandaram Shields à lona. No segundo foi um cruzado de direita que explodiu na orelha do desafiante. No quarto, um chute alto pegou na orelha do outro lado, igualmente mandando Jake pro tombo. Nas três oportunidades o americano se recuperou rapidamente, sem dar chance para o canadense imprimir seu temido ground and pound. Por outro lado Jake mostrou uma trocação mais perigosa do que muitos supunham. Inflingiu dano ao rosto do campeão, que acabou ensanguentado como raríssimas vezes foi visto. Justiça seja feita: os cortes no nariz e abaixo do olho esquerdo de GSP deixaram sua face com mais sangue que a do adversário.
Depois de quatro 10-9 incontestáveis a favor de Georges, finalmente Jake igualou um pouco as ações nos cinco minutos finais. Começou o round incitando a torcida, mostrando-se inteiro, mas com pouco mais de um minuto foi atingido por uma direita que o lançou para trás. A trocação foi equilibrada durante todo o round, com GSP levando pequena vantagem na contundência. Faltando cinco segundos para o fim, St. Pierre explodiu para uma última tentativa de queda, bem defendida por Shields. O último 10-9 resultou em 50-45 a favor do campeão. Nossa contagem foi a mesma marcada pelo juiz Douglas Crosby. Mas Nelson Hamilton e Richard Bertrand conseguiram enxergar dois rounds a favor do desafiante, apontando 48-47.
Três knockdowns, duas quedas, domínio completo. Atuação impecável para a maioria dos “mortais”. Para quem disputa palmo a palmo a posição de número 1 peso por peso, foi apenas uma atuação mediana. Moral da história: GSP é tão superior à concorrência que não precisa mais que uma atuação mediana para vencer sem tomar sustos, mesmo numa divisão com vários talentos, contra um adversário muito perigoso. Mas ele não fica satisfeito:
“A trocação de Shields foi muito melhor do que eu imaginava. Ele fechou meus olhos. Trocando em pé, eu esperava batê-lo com mais facilidade e então botá-lo pra baixo no fim da luta, mas não consegui implantar exatamente esta tática. Peço desculpas aos fãs. Eu queria um nocaute ou uma submissão nesta noite.”
A vitória eleva a série invicta do canadense para nove lutas. Já Jake viu sua invencibilidade ruir depois de 6 anos e 15 lutas.
Estatísticas do combate, de acordo com o FightMetric:
GSP: 92 golpes acertados, 85 contundentes (54 na cabeça, 27 no corpo, 11 nas pernas), 2 quedas em 3 tentativas.
Shields: 96 golpes acertados, 76 contundentes (40 na cabeça, 38 no corpo, 18 nas pernas), nenhuma queda em 6 tentativas.

José Aldo Junior (BRA) venceu Mark Hominick (CAN) por decisão unânime (48-45, 48-46, 49-46)

Nicolau Maquiavel já dizia que os fins justificam os meios. Como todos imaginavam, Aldo venceu e defendeu com sucesso pela primeira vez seu cinturão. Mas ninguém supôs que seria tão complicado.
Contra todos os prognósticos, mas com o apoio de um público alucinado em suas costas, Hominick provou que é dos grandes. A pressão que Aldo lhe impôs no começo foi forte. Combinações rápidas, golpes fortes, belas esquivas e movimentação. Aldo mostrava porque é o peso pena mais temido do mundo. Mas o canadense não se intimidava e aceitava a trocação, sempre andando pra frente. O campeão então mergulhou num double-leg preciso, caiu por cima, mas Mark tentou uma chave de braço. Junior defendeu e passou a trabalhar cotoveladas na guarda, enquanto o desafiante tentava se afastar da grade segurando-a (o que não é permitido). Talvez pressionado pela torcida, o árbitro “Big” John McCarthy fez com que a luta voltasse ao centro faltando meio minuto. Ainda deu tempo do brasileiro aplicar outra queda, garantindo o 10-9.
Aldo pareceu voltar mais cansado. Hominick percebeu e tomou a iniciativa. Acertou bons golpes no corpo e se movimentava mais. O campeão equilibrou a trocação e tentou quedar duas vezes, mas o desafiante defendeu. Ao perceber que Mark começava a ficar à vontade no boxe, Aldo levou a luta para baixo. Voltou a punir na guarda do desafiante, que se mantinha segurando a grade para evitar ficar encurralado. E mais uma vez McCarthy manda a luta voltar para o centro (a arbitragem nunca tem este rigor com Jon Fitch). Como faltava um minuto, Aldo acertou bons golpes e novamente quedou, caiu por cima e passou a guarda. O canadense chegou a tentar obstruir a respiração do brasileiro, que venceu novamente por 10-9.
O cansaço de Junior aumentou, enquanto Hominick aparentava estar inteiro. O desafiante rodava soltando jabs, Aldo respondia com golpes potentes. O boxe do canadense estava afiado. O campeão conseguiu uma queda na metade do terceiro, mas não sustentou posição. Hominick passou a acertar bons golpes e dava mostras que dominaria o round quando Aldo acertou um gancho de direita na orelha do canadense, que foi a knockdown, agarrando as pernas do campeão. Novamente na guarda do adversário, o campeão trabalhou o ground and pound, vencendo outro por 10-9.
Hominick voltou para o quarto com o olho esquerdo danificado, piscando muito. Aldo voltou trabalhando bem seus violentos chutes baixos, normalmente em combinações com socos no corpo e na cabeça. Com um cruzadaço de direita, Junior mandou novamente Mark a knockdown. Na guarda do desafiante, Aldo seguia as instruções de André Pederneiras, que pedia para o campeão trabalhar as cotoveladas. De tanto martelar Aldo deixou de presente um galo grotesco, do tamanho de uma bola de tênis, na testa do canadense. O córner mandava o campeão bater no inchaço, mas Aldo deu a impressão de ter ficado com pena daquela situação bizarra. “Big” John interrompeu a luta e pediu a presença de um médico para avaliar aquele que era um dos maiores calombos que eu já vi na história do MMA. Hominick não desistiria diante de seu público e a luta foi reiniciada. Ainda deu tempo do campeão soltar algumas bombas e garantir outra queda, cravando o quarto 10-9 da noite.
Nem a plaquinha de metal mágica deu jeito naquele calombaço. Hominick voltou deformado para os cinco minutos finais, com o olho esquerdo fechado e o direito debaixo do galo surreal. Mas quem disse que ele se entregou? Pelo contrário! Muito cansado, Aldo foi um rascunho do lutador dos 20 minutos anteriores. Acertou apenas 3 golpes, segundo as estatísticas do FightMetric, enquanto o canadense disparou mais de 60, principalmente jabs de esquerda e diretos de direita, um terço deles significantes. Ainda conseguiu um takedown, caindo na guarda para trabalhar o ground and pound. Exausto, Aldo apenas sobreviveu até a buzina encerrar a luta. O 10-9 a favor do canadense deixou o combate em 49-46 a favor do campeão, de acordo com a nossa contagem.
O combate visceral rendeu a ambos a premiação extra de 129 mil dólares, pelo bônus de Luta da Noite.

Lyoto Machida (BRA) venceu Randy Couture (EUA) por nocaute (1:05, R2)

Quantas vezes eu já ouvi na minha vida que “aquele golpe da gaivota do Daniel-san não vence ninguém, só em filme mesmo”. Pelas mãos de Lyoto-san, eis que a resposta chega 27 anos depois.
Já era previsto que Couture teria dificuldades imensas para encontrar Machida no octógono e aplicar seu jogo de clinch, quedas e ground and pound. A diferença de velocidade e técnica em pé eram abissais. Lyoto usou todo o primeiro round para frustrar a lenda, mostrando que ele não é um osso duro para qualquer wrestler à toa. Noção de distância perfeita, jogo de pernas encaixado, quadril solto, troca de bases. O velho Dragão estava de volta. Trezentos segundos de luta, trezentas coordenadas diferentes. Lyoto não esteve em nenhum momento do round inicial no mesmo local. Muito bem preparado para evitar o clinch, Machida soltou jabs, diretos, cruzados, chutes e joelhadas, variou na cabeça e no corpo, se safou facilmente de um double-leg, vencendo sem a menor dificuldade por 10-9.
Depois de fazer o veterano integrante do Hall da Fama parecer um iniciante no primeiro, Lyoto voltou para o gran finale. Couture sentia-se incapaz de chegar perto. Machida sentia o fim próximo. Com combinações rápidas o brasileiro atingia sempre o alvo. De repente… Chute frontal voador, chute da gaivota, golpe da garça, mae tobi geri. Chamem do que quiser. Eu chamo de genialidade. Com um chutaço que explodiu na ponta do queixo, Lyoto mandou um dente de Couture pro espaço e apresentou a aposentadoria à lenda. O lance espetacular rendeu 129 mil dólares a Lyoto pelo bônus de nocaute da noite.
Randy, com 19-11 no MMA e 16-8 no UFC, se despediu derrotado, mas aplaudido de pé. Na entrevista depois da luta mostrou porque é um atleta tão adorado:
“Vocês não me verão novamente. Acabou. Acho que quando tivemos essa conversa da última vez eu tinha todos os dentes. Eu já tinha pensado nisso depois de James Toney, mas eles me deram o Lyoto. Ele é um tremendo lutador. Eu achava que estava bem na luta e ele me pegou com aquele chute incrível. Os fãs sempre me trataram muito bem, mas me despedir dessa maneira foi especial.”
Já Machida (16-2, 8-2 no UFC) mostrou o que esta luta simbolizava para ele:
“Eu sonhei quando tinha 18 anos que um dia lutaria contra Randy Couture, mas pensei que nunca pudesse ter a oportunidade porque eu era muito jovem. Foi uma honra lutar com Randy. Ele é o cara, uma lenda. (…) Seagal me motivou muito a utilizar essa técnica, que estava adormecida em mim. O Steven deu uma contribuição muito grande no golpe”

Vladimir Matyushenko (BIE) venceu Jason Brilz (EUA) por nocaute (0:20, R1)

Se você piscou, foi ao banheiro ou saiu para pegar uma cerveja, perdeu a luta.
Não teve disputa de luta olímpica, não teve quedas. Não deu tempo nem de Brilz dizer a que veio. Matyushenko soltou os braços para medir a distância e rapidamente emendou um upper de direita e um cruzado de esquerda. Ambos explodiram contra o queixo do americano, que desabou. O bielorrusso ainda foi garantir a vitória no ground and pound, mas Brilz não se protegia. Para evitar maiores problemas, o árbitro Dan Miragliotta corretamente interrompeu o combate.
“Às vezes eu cumpro o que prometo. Eu vinha trabalhando muito na minha trocação e estou feliz por ter conseguido esta vitória por todos os meus fãs. Sou capaz de fazer muito mais.”
No sapatinho neurótico, comendo pelas beiradas, Matyushenko já crava 4-1 em seu retorno ao UFC. A única derrota desde a volta foi contra ninguém menos que Jon Jones.

Ben Henderson (EUA) venceu Mark Bocek (CAN) por decisão unânime (30-27, 30-27, 30-27)

Desde o começo ficou clara a intenção de Bocek levar a luta para o chão, e a de Henderson mantê-la em pé. O canadense conseguiu rapidamente um clinch depois de um direto de direita, mas o americano reverteu a posição na grade. O árbitro Yves Lavigne chegou a separá-los por causa da falta de ação. Bocek repetiu a dose, com outro direto e clinch. Benson variava entre cotoveladas, socos, chutes na perna e superman punch. Bocek conseguiu uma queda com single-leg, caiu na guarda e não conseguiu passar. Ben aplicou cotoveladas de baixo para cima e venceu por 10-9.
Bocek voltou tentando um single, levou para o clinch na grade, mas foi o ex-campeão do WEC que conseguiu a queda. Bocek procurou uma perna ou braço enquanto Henderson martelava na meia guarda. Bocek conseguiu se levantar, novamente buscou o clinch, mas Ben encaixou o underhook e pressionou o canadense contra a grade. Quando o americano trabalhava joelhadas, Mark puxou uma guilhotina, alternando pra uma anaconda. Bocek ajustou a posição, apertou a guilhotina, mas não conseguiu finalizar o oponente que parece ser de borracha. Depois de se safar, Benny disparou selvagens cotovelos e joelhos no corpo. O round acabou com o canadense cortado no topo da cabeça, sangrando muito. Outro 10-9 a favor de Henderson.
No intervalo o cutman encheu o corte de Bocek com vaselina para estancar o sangramento. Ele conseguiu quedar o americano duas vezes nos cinco minutos finais. Caiu na guarda do americano na primeira. Henderson socava para cima, mantendo-se ativo. Procurou uma chave de braço. Não conseguiu, mas achou espaço para reverter a posição e novamente ficar de pé. Bocek voltou a sangrar, tentou uma baiana, mas Henderson defendeu com um sprawl. O americano punia o canadense com joelhadas. Faltando menos de um minuto, Mark conseguiu outra queda. Henderson conseguiu se safar, apertou Bocek contra a grade e disparou mais joelhadas. Por ter sido mais contundente, Ben conseguiu outro 10-9, fechando o combate em 30-27 na nossa contagem.
Fotos: Al Bello/Zuffa LLC via Getty Images