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sexta-feira, 6 de maio de 2011

O médico acertou ao não parar a luta de José Aldo?



Muito se discute no mundo do MMA sobre gravidade de lesões, potenciais riscos aos lutadores, sequelas pós-aposentadorias e o assunto é sempre trazido de volta aos holofotes após uma lesão grave ou imagem forte que surge nos diversos eventos ao redor do mundo. No UFC 129 não foi diferente. Na luta entre José Aldo e Mark Hominick vimos o “filho” que brotou na testa de Hominick após o castigo do brasileiro, gerando diversos posts em fóruns especializados, coluna no “Ask the Doc” do site MMAJunkie, dentre outros, discorrendo sobre os riscos, se a luta deveria ser parada, sobre as consequências de uma lesão como aquela, etc e tal.



No MMA, ou pelo menos nos eventos de maior nível, temos (e recomendamos ter) sempre um médico com experiência na área de Trauma/Urgência. Este profissional fica responsável por avaliar a necessidade de interromper a luta, as condições clínicas em nocautes e avaliar as possíveis urgências que possam surgir. Nos EUA estes profissionais são indicados pelas comissões atléticas estaduais, sem vínculo com a organização que promove o evento.

Voltando a Aldo x Hominick… Bem, existem lesões e lesões. Não necessariamente as que causam grande impacto visual são de maior gravidade em relação àquelas que parecem ser inofensivas aos nossos olhos. Algumas lesões bem feias como hematomas, lacerações, cortes, embora sangrem bastante e assustem, na imensa maioria das vezes são superficiais e agregam risco mínimo aos atletas. Já outras lesões como rompimento de vísceras ocas (fígado e baço), embora nem sejam visíveis a olho nu, vão se manifestar de forma extremamente grave, como hemorragias e possível evolução para choque, necessitando de tratamento urgente, rápido e eficaz para salvar a vida do atleta.

Falando sobre o que aconteceu na luta em questão, Hominick desenvolveu um hematoma simples na testa, ou seja, aquele “alien” brotado era nada mais do que uma coleção de sangue de algum vaso superficial rompido pelos golpes, nada que tenha deixado a sua vida em risco, por mais assustador que tenha parecido.

O tratamento deste tipo de hematoma é simples. Na maioria das vezes o mesmo é reabsorvido naturalmente pelo corpo. Em alguns casos, uma simples aspiração com agulha comum e compressão com curativo e gelo resolve. Como o atleta não estava com a visão comprometida, orientado, lúcido e sem nenhuma repercussão clínica, na minha opinião o médico da Comissão Atlética agiu corretamente, permitindo que a luta continuasse sem fazer uma interrupção médica, o que daria a vitória automaticamente ao oponente por impossibilidade de continuar o combate por razões médicas.


Foto disponibilizada hoje por Mark Hominick em seu Twitter

Esperamos que esta seja a primeira coluna de muitas aqui no MMA Brasil e contamos com a colaboração e a sugestão de vocês para o crescimento do site, com pedido de temas, discussão de dúvidas e assuntos médicos gerais ligados ao MMA. O site encontra-se aberto para novas discussões.

Thiago Rachid Jaudy é Médico e atualmente Residente de Cirurgia Geral do HGU – Hospital Geral Universitário em Cuiabá, Mato Grosso.

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