Como sabemos, o ex-desafiante dos pesos médios meteu-se numa enrascada sem precedentes na história do MMA. Depois de ser derrotado numa luta antológica contra Anderson Silva em agosto passado, Sonnen foi desmascarado pelo exame antidoping da CSAC, uma das mais rígidas dos EUA. No julgamento daquela acusação, Chael quase chorou e se enrolou em mentiras patéticas para (tentar) justificar o excesso de testosterona encontrado em sua amostra. Os comissários aplicaram suspensão de um ano de sua licença de lutador, que expiraria no dia 2 de setembro de 2011. Pouco tempo depois a CSAC aliviou a barra do americano, reduzindo a pena pela metade, adicionando irrisória multa de 2.500 dólares.
Quando Sonnen achava que se livraria rapidamente dos problemas e voltaria a lutar, levou um golpe ainda mais duro. Como desgraça pouca é bobagem, ele foi acusado de praticar crime federal de lavagem de dinheiro na época em que trabalhava como corretor de imóveis. Este processo ainda corre nos EUA e pode até levar o lutador à prisão.
Em vez de reduzir a pena pela metade, a CSAC juntou os dois casos (falso testemunho no caso do doping e lavagem de dinheiro)* e resolveu puni-lo por tempo indeterminado, sob a pertinente alegação que o comportamento de Sonnen é prejudicial ao esporte. Entenda-se por tempo indeterminado o seguinte: ele só poderá solicitar novamente a licença para lutar a partir de 29 junho de 2012. Ou seja, até lá, nada de lutar. E depois disso ele ainda será novamente alvo de avaliação da CSAC antes de ter sua licença reconcedida. Ou seja…
A audiência de hoje não foi transmitida, como a de dezembro fora. Mas o circo dos horrores deve ter dado as caras. Sonnen apelou. Disse que o UFC estaria planejando escalá-lo como técnico do TUF 14 contra Michael Bisping. Os dois se enfrentariam posteriormente pelo posto de desafiante número um de Anderson. Tentou alegar que a Comissão Atlética do Estado de Nevada (NSAC) o liberara para fazer o tal tratamento com testosterona na luta contra Nate Marquardt no UFC 109. Ameaçou se aposentar caso fosse suspenso hoje. Chamou até sua mãe para testemunhar. Não adiantou. A CSAC manteve a posição de defender o MMA e o suspendeu. Os vereditos foram duros. John Frierson falou: “É muito difícil para mim acreditar em sua segunda chance”. A procuradora Karen Chappelle continuou: “[Sonnen] sempre tem alguém para culpar… Não sei como se pode confiar nele”. Comissário Christopher Giza completou: “Sonnen deu declarações contraditórias que põem em xeque sua credibilidade e reabilitação”. George Dodd foi o único a aliviar, dizendo que nenhum atleta fora suspenso por crime do colarinho branco.
Em teoria o gancho valeria apenas para o estado da Califórnia, uma vez que as comissões atléticas são indepentendes. Mas o procedimento comum é que todas as comissões acatem as punições dadas por outras. Ainda mais quando a sentença é emitida pelo trio de ferro (Califórnia, Nevada e New Jersey, as três comissões mais fortes dos EUA, que criaram inclusive as Regras Unificadas de Conduta do MMA). Não há possibilidade de sancionarem uma luta de Sonnen em território americano durante o período da suspensão. E, mesmo fora dos EUA, só em outro evento. Os países que promovem shows do UFC que não têm comissões atléticas costumam acatar as normas da NSAC.
Sonnen, com seu comportamento patológico, abusou da sorte e vai pagar por isso. Por muito menos, Maiquel Falcão foi demitido pelo UFC. Business as usual, a organização tentou fazer o possível para livrar o americano, mais rentável que o brasileiro. Em vão. Sendo assim, nada de Chael Sonnen até o final de junho de 2012. Depois disso, ainda dependerá da boa vontade da CSAC, como dito antes, uma das mais duras dos EUA. Se você estava esperando por um TUF 14 redentor depois da arrastada temporada atual, esqueça. E pior, podemos praticamente dar adeus à possibilidade de uma histórica revanche entre Anderson e Sonnen.
De um jeito ou de outro, a justiça foi feita.
(*) A punição foi dada em cima do doping e do falso testemunho. O crime que está sendo julgado pela justiça comum serviu como uma teórica mostra do caráter de Sonnen e de sua (in)capacidade de recuperar a credibilidade afetada.
Foto: Ken Pishna/MMAWeekly
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