Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Judô começa aquecimento para o Pan de Guadalajara, no México


O Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos de Guadalajara 2011 (COPAG), no México, confirmou que os torneios de judô vão abrir as portas para os primeiros testes antes do evento, que começa em outubro. A série de torneios serve para testar as instalações onde serão os jogos. Estão previstas 11 competições. A primeira será o Campeonato Pan-Americano Senior de Judô, com participação do Brasil, entre os dias 1 e 3 de abril. Cerca de 320 judocas de 26 países competirão nas categorias individuais e por equipe.
Esta é última oportunidade para conseguir pontos para o Pan-Americano. Além disso, o campeonato renderá pontuação para as Olimpíadas de Londres-2012.
Os torneios serão no Code II, tipo de centro de treinamento que também hospedará os atletas. Estão previstos eventos de atletismo, karatê, boliche, levantamento de peso, e hipismo, encerrando com vôlei de praia, entre 28 de setembro e 02 de outubro.

terça-feira, 29 de março de 2011

Destaque da luta livre, carioca abre mão da vaidade pelo sonho olímpico


As unhas compridas, o cabelo bem penteado e o batom só entram em cena quando a lutadora de estilo livre Gilda Oliveira está de folga dos combates. Responsável pelo primeiro ouro do país no Torneio Granma e Cerro Pelado, tradicional competição cubana, a carioca de 27 anos abriu mão de morar em sua cidade e aprendeu a deixar de lado a vaidade pelo sonho de chegar aos Jogos Olímpicos de Londres-2012.
Gilda Maria treinando no novo CT de lutas (Foto: Divulgação CBLA)Gilda, à direita, durante treinamento no novo Centro de Treinamento da seleção (Foto: Divulgação CBLA)
- Tenho que abrir mão de muitas coisas pela luta. Eu sou muito vaidosa, mas não posso ter unhas grandes, não posso me preocupar com o cabelo. Tenho que ficar descabelada durante as lutas – brincou Gilda.
Gilda Maria Lutas (Foto: Divulgação)
Quando não está lutando, Gilda não dispensa
maquiagem e bijuterias (Foto: Divulgação)
Tudo por uma boa causa. Desde pequena, a carioca tinha o sonho de um dia virar atleta. E de luta. Primeiro, tentou o jiu-jitsu e se destacou ganhando títulos estaduais, nacionais e até internacionais. A dificuldade para conseguir patrocínio em um esporte que ainda sofre preconceito, no entanto, fez Gilda abrir os olhos para a modalidade olímpica.
- Um dia tive uma entrevista para tentar patrocínio e não aceitaram por eu não praticar uma modalidade olímpica. Resolvi procurar outro esporte e acabei indo parar na luta. Mas só há dois anos consegui me dedicar integralmente. Antes, ainda tinha que trabalhar e estudar – disse a atleta formada em Educação Física.
Adeus ao Rio em prol do sonho olímpico
A dedicação total à luta veio quando recebeu o convite para treinar no Sesi de Osasco, em São Paulo. Certa de que esse era um importante passo rumo ao sonho olímpico, arrumou as malas e, com o coração apertado, deixou sua cidade.
- Foi bem difícil abrir mão de ficar perto da família, da minha cidade e dos meus amigos. Se eu disser que me adaptei, estarei mentindo. Gosto muito de ir à praia, acho que isso é o que mais sinto falta.
 gilda maria    luta olímpica (Foto: Divulgação)Gilda no alto do pódio em Cuba (Foto: Divulgação)
O esforço, no entanto, já está sendo recompensado. Após ficar em terceiro no Campeonato Sul-Americano 2010, em Medellín, na Colômbia, a brasileira conquistou na categoria até 72kg a inédita medalha de ouro do país no Torneio Granma e Cerro Pelado, em Cuba, no mês passado.
- Fiquei muito feliz, principalmente por ser inédito. Demorou uns três dias para cair a ficha. Vinha de uma lesão no joelho direito, então estava insegura. Consegui até mais do que imaginava.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Minotouro é derrotado pelo invicto Phil Davis e fica longe do cinturão


O brasileiro Antônio Rogério Nogueira, o Minotouro, foi derrotado na madrugada deste domingo pelo americano Phil Davis por decisão unânime dos jurados, no UFC Fight Night 24, em Seattle, Estados Unidos. Minotouro surpreendeu por um round e meio ao ter sucesso na defesa de quedas contra os ataques do wrestler americano, mas depois não se segurou mais em pé, e o adversário acabou levando vantagem no controle da luta. Esta foi a segunda derrota seguida de Minotouro no evento, o que deixa o baiano mais longe da disputa pelo cinturão meio-pesado. No UFC 119, Nogueira não tinha conseguido superar Ryan Bader. Davis, por sua vez, segue invicto na carreira, agora com nove triunfos, e sobe alguns degraus importante na caminhada rumo ao topo da categoria.
O primeiro round foi todo disputado em pé. Apesar de defender bem as quedas, Minotouro não encontrou a distância para impor o seu boxe superior e acabou recebendo chutes que influenciaram a decisão dos jurados sobre a primeira parte da luta.
luta ufc minotouro phil davis (Foto: Divulgação / UFC)Phil Davis domina a luta (Foto: Divulgação / UFC)
No segundo, o panorama não seguiu muito diferente até pouco depois da metade, quando Davis enfim conseguiu colocar o brasileiro para baixo. O americano controlou o round até o fim e, mesmo não atacando muito, também foi superior.
Sabendo que estava em desvantagem, Minotouro abriu mais o jogo no terceiro e ficou exposto às quedas. Conseguiu sair de baixo do wrestler por duas vezes, mas foi derrubado de novo. No fim do round, o público vaiou a pouca efetividade de Davis. Mesmo assim ele convenceu os jurados e levou a vitória por um triplo 30 a 27.
Super Mario x Simpson
Vindo de derrota para o também brasileiro Demian Maia, Mario Miranda sofreu o segundo revés seguido no UFC ao perder para Aaron Simpson na decisão unânime dos jurados. Assim como aconteceu contra Maia no UFC 118, o Super Mario sofreu um festival de quedas do americano e pouco atacou.
A superioridade do americano foi tanta que um dos juízes chegou a dar 10 a 8 em um dos rounds a favor de Simpson. Com a derrota e as atuações nas duas últimas lutas, Mario Miranda corre até mesmo o risco de ser cortado do evento.
Twister do Korean Zombie
Leonard Garcia e Chan Sung Jung se enfrentaram em 2010 na edição 48 do WEC, evento que foi incorporado ao UFC recentemente, e concorreram no World MMA Awards 2010, o Oscar do MMA, na eleição da melhor luta do ano. Agora no UFC, o coreano teve a revanche da polêmica decisão dos jurados a favor do americano.
Desta vez, luta completamente diferente. Com menos ímpeto do que da outra vez, os lutadores se estudaram mais. O coreano levou a melhor no primeiro round depois que conseguiu derrubar o americano e tentou uma chave de braço. Garcia escapou e conseguiu se segurar até o soar do gongo.
No segundo, entretanto, não teve jeito. Após início equilibrado, Leonard Garcia escorregou ao tentar um chute alto, e Jung se aproveitou para cair por cima e trabalhar o ground and pound. O americano tentou se desvencilhar, mas cedeu as costas para o coreano e foi finalizado com um raríssimo twister, estrangulando e pressionando a cervical do adversário. Vitória do Korean Zombie restando um segundo para o fim do round.
Vencedor da edição sete do reality show "The Ultimate Fighter", Amir Sadollah fez um primeiro round bastante equilibrado contra DaMarques Johnson, mas conseguiu se impor no segundo. Aplicou uma queda no adversário e o castigou com socos e cotoveladas até a desistência. Foi o segundo triunfo seguido de Sadollah no evento e o sexto em oito lutas na carreira.
Dan Hardy perde a terceira seguida
Desafiante do cinturão meio-medio no UFC 111, Dan Hardy viu o sonho de chegar ao topo na categoria ir água baixo e neste domingo conheceu sua terceira derrota seguida no evento. Após ser superado pelo campeão St-Pierre e por Carlos Condit, o inglês caiu diante de Anthony Johson nesta madrugada.
Hardy passou um sufoco no primeiro round, quando recebeu um chute alto e caiu. Na sequência, Johnson tentou a finalização pegando as costas e atacando o pescoço, mas o inglês escapou.
Nos dois rounds seguintes, Johnson surpreendeu ao evitar a troca de golpes e derrubou o inglês sempre que a luta ficou em pé. No terceiro, o americano chegou a encaixar um katagatami, não conseguiu finalizar, mas venceu com folga na decisão dos jurados.
Card principal:
Meio-pesado (até 93kg)
Phil Davis venceu Antonio Rogerio Nogueira por decisão unânime (30 a 27, 30 a 27e 30 a 27)
Meio-médio (até 77kg)
Anthony Johnson venceu Dan Hardy por decisão unânime (30 a 27, 30 a 27 e 30 a 27)
Meio-médio (até 77kg)
Amir Sadollah venceu DaMarques Johnson por desistência aos 3m27s do round 2
Pena (até 66kg)
Chan Sung Jung venceu Leonard Garcia por finalização (twister) aos 4m59s do round 2

Card preliminar:
Pesado: (até 120kg)
Mike Russow venceu Jon Madsen por interrupção médica no round 2
Pena (até 66kg)
Mackens Semerzier venceu Alex Caceres por finalização (mata-leão) aos 3m08s do round 1
Meio-médio (até 77kg)
John Hathaway venceu Kris McCray por decisão dividida (29 a 28, 28 a 29 e 29 a 28)
Galo (até 61kg)
Michael McDonald venceu Edwin Figueroa na decisão unânime (30 a 27, 30 a 27 e 30 a 27)
Pesado (até 120kg)
Christian Morecraft venceu Sean McCorkle por finalização (guilhotina) aos 4m10s do round 2
Meio-medio (até 77k)
Johny Hendricks venceu TJ Waldburger por nocaute técnico a 1m35s do round 1
Médio (até 84kg)
Aaron Simpson venceu Mario Miranda por decisão unânime (30 a 26, 30 a 27 e 30 a 27)
Leve (até 70kg)
Nik Lentz venceu Waylon Lowe por finalização (guilhotina) aos 2m24s do round 3

domingo, 27 de março de 2011

João Derly volta a competir depois de 15 meses, mas sofre nova lesão


Depois de 15 meses se recuperando de duas cirurgias no joelho esquerdo, João Derly comemorava a volta às competições. Queria uma vaga na seleção brasileira que estaria em jogo na última seletiva. Neste sábado, em Vitória, ele conseguiu alcançar o objetivo, mas voltou a ser derrubado por uma lesão. Agora no outro joelho.
Após ser superado por ippon por Moacir Mendes Jr na primeira rodada, o bicampeão mundialprecisava vencer o paulista Marcelo Contini para seguir sonhando com o primeiro lugar. Mas após tentar um movimento, ele caiu e revelou a dor.
- Ainda não sei a gravidade da lesão, mas estou muito chateado. Estava muito feliz em voltar aos tatames e fazer o que eu mais gosto. É uma pena que eu tenha me lesionado mais uma vez. Faz parte do esporte - lamentou João Derly, que ficou com a quarta vaga na categoria até 73kg.
Cada uma das 14 categorias terá quatro representantes no ano. Os dois primeiros colocados em cada peso terão maior investimento da CBJ na temporada 2011/2012. Os dois outros farão parte da equipe no Grand Slam do Rio de Janeiro e da Copa do Mundo de São Paulo, competições em que o Brasil pode inscrever quatro atletas. Para o coordenador técnico Ney Wilson, a seletiva é um grande laboratório para a comissão técnica.
- Nós tivemos a chance de observar atletas muito jovens e avaliar o seu grau de maturidade num evento deste nível. A visão macro de uma seletiva como esta vai além do resultado. Estamos dando início a um novo ciclo que irá até as Olimpíadas de Londres-2012 e o que observamos nos dá a certeza de que estamos no caminho - afirmou.
Primeira medalhista olímpica do judô feminino brasileiro, Ketleyn Quadros conquistou a primeira colocação na seletiva e já faz planos.
- Com certeza esta foi mais uma etapa cumprida no caminho até Londres. Agora que estou de volta à seleção é focar os treinos para as competições internacionais e buscar pontos no ranking mundial. Fico feliz de poder seguir com o sonho de disputar mais uma Olimpíada - disse Ketleyn.

sábado, 26 de março de 2011

Michael Oliveira derrota argentino e ganha cinturão latino-americano


O brasileiro Michael Oliveira conquistou o cinturão latino-americano do Conselho Mundial de Boxe na categoria super médio. Em um confronto bastante equilibrado contra o argentino Abel Adriel, na noite desta sexta-feira, no Ibirapuera, em São Paulo, o paulista venceu por pontos em decisão unânime e se manteve invicto depois de 14 lutas disputadas.
- A gente não pode só se basear em vídeos. Ele veio muito preparado e lutou muito bem. Eu tiro o chapéu para ele. Agora eu vou treinar até o diabo dizer chega e vou ser campeão mundial – afirmou Michael Oliveira.
A luta foi franca durante muitos momentos, mas também teve muitas vezes a cara de um jogo de Libertadores da América. Com catimba e provocação dos dois lados, o juiz teve bastante trabalho para controlar os pugilistas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

EE' faz dossiê sobre morte de Tairone Silva, promessa do boxe brasileiro


Com apenas 17 anos, Tairone Silva já era considerado um herói em Osório, cidade com cerca de 40 mil habitantes a 100km de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Atleta do Grêmio Esportivo Sul-Brasileiro, o menino surgia como a mais nova promessa do boxe nacional, depois de ser bicampeão gaúcho, vencer o Torneio Internacional de Iquiqui (Chile), na categoria adulto, e deter o título brasileiro dos cadetes (14 a 16 anos até 75kg).  Esperança de medalha para as Olimpíadas de 2016, o gaúcho já estava de passagem comprada para o Rio de Janeiro. Ele treinaria com a equipe da Marinha para os Jogos Mundiais Militares que acontecem no Brasil de 16 a 24 de julho.
O fim de uma carreira breve
Mas no último dia 11, a carreira de Tairone chegou ao fim. A poucos metros de casa, ele foi assassinado com dois tiros - um na perna e outro no ombro. O policial militar Alexandre Abe socorreu a vítima, mas depois confessou o crime. A defesa alega legítima defesa depois que Tairone teria tentado dar um soco e tirar a arma do policial. No entanto, a única testemunha do caso, que por medo preferiu não revelar seu nome, conta uma versão totalmente diferente:
- Eu vi tudo. O Tairone foi levar um colega até um pedaço mais adiante. No que ele estava voltando, a gente esperou ele na esquina para voltar para a escola. Aí, o cara, que estava no portão do acontecido, o chamou e ele continuou andando, não olhou. O cara continuou chamando, e o Tairone não olhou. Então, simplesmente, o cara pegou uma arma e atirou. O Tairone caiu no chão. Ele se aproximou um pouquinho mais dele no chão, viu que não estava morto e atirou para matar.
Qual o motivo do crime?
Foto de Tairone Silva, campeão brasileiro de boxe (Foto: Reprodução/Tv Globo)Tairone Silva no pódio (Foto: Reprodução/Tv Globo)
Com o laudo do Departamento Médico Legal nas mãos, o delegado responsável pelo caso, Celso Ferri, já descartou a hipótese de uma luta entre os dois - o que alega a defesa. A polícia trabalha com a ideia de o crime ter sido motivado por inveja, já que Tairone era motivo de orgulho por grande parte da população da pequena Osório. O que amigos e familiares querem entender é o motivo que realmente levou ao assassinato de um menino de 17 anos.
Um treinador com faro de boxe
"Garoto tímido, que falava pouco". Foi assim que o técnico de boxe Anildo Pereira, com Tairone desde os 13 anos, definiu seu pupilo. Ele conta que um dia alguns garotos apareceram em sua academia, um deles fez aulas durante uma semana e depois desapareceu. O treinador viu algo diferente no pequeno boxeador e fez o que não estava acostumado: "procurei saber onde ele morava e fui atrás dele". A principal lembrança que Anildo vai guardar? Ele mesmo reponde:
- Daquele garoto tímido, que falava pouco? Quando subia no ringue se transformava num leão. Na primeira semana que ele apareceu na academia, o apelidei de 'Mão de pedra'. A pancada dele, o direto, quando entrava derrubava até boi. É brincadeira...
Sonho de ser campeão mundial
tairone silva (Foto: Reprodução/Tv Globo)Os pais de Tairone Silva (Foto:Reprodução/Tv Globo)
A mãe dona Cláudia estava em casa quando uma vizinha, por telefone, avisou que havia escutado tiros e tinha visto Tairone por perto. Foi só o tempo de sair correndo e ver o filho no chão, com o acusado sobre seu corpo. A dor e os gritos chamando o nome do filho encheram a rua. O crime encerrou não só uma carreira de sucesso, mas também uma promessa feita à mãe.
- 'Mãe, meu sonho é ser campeão mundial e eu vou conseguir. Ainda vou te dar a sua casa, mãe. Vou dar um carro para você e para o pai'. Com o pai desempregado, ele pegava o dinheirinho dele e pagava a luz, a água. Eu dizia, 'meu filho, deixa, faz o seu futuro. E ele: 'meu futuro são vocês, mãe'.
Carreira curta, legado longo
Apesar da curta carreira e dos títulos conquistados, Tairone já deixou bons frutos que podem ser vistos em Osório. A ascensão do menino chamou a atenção da prefeitura local, que comprou um ringue e materiais novos para a academia.
Boxe Tairone Silva assassinado (Foto: CBBoxe)Tairone Silva treina com a camisa da Seleção Brasileira de Boxe (Foto: CBBoxe)
No ritmo e com a vontade que Tairone treinava, Anildo Pereira tinha certeza que o "Mão de pedra" se tornaria campeão mundial de sua categoria. Apesar de a previsão não ter mais chances de ser realizada, Anildo sabe que Tairone deixou um exemplo a ser seguido pelas novas gerações.
- O Tairone representa muito para nós. Ele virou um ídolo na cidade e deixou um legado. Porque eu acho que, se tem um criminoso famoso numa vila, as crianças vão querer ser traficantes. Agora, se tem um atleta, um herói, eles vão querer ser iguais a esse atleta. E ele estava sendo esse atleta. Andava pelas vilas aconselhando as crianças a praticar esporte para terem uma vida melhor - disse.
Hoje, o primo Vitor, de 15 anos, que luta na categoria até 57kg, é uma das apostas para tentar manter a estrela de Tairone Silva brilhando.

domingo, 20 de março de 2011

Maurício Shogun perde o título dos meio-pesados do UFC para Jon Jones


Durou apenas uma defesa de cinturão o reinado do brasileiro Maurício Shogun na categoria meio-pesado do Ultimate Fighting Championship. Atual campeão, após ter conquistado o título contra o também brasileiro Lyoto Machida, em maio do ano passado, Shogun não resistiu à força de Jon Jones. O americano conseguiu o nocaute no terceiro round, após encaixar uma sequência de golpes na cabeça do oponente. O juiz, vendo que o brasileiro não conseguia mais se defender, encerrou a luta.
Esta foi a 13ª vitória do americano em 14 combates. Já Maurício Shogun sofreu sua quinta derrota em 24 lutas. Com apenas 23 anos de idade, Jones é o mais jovem campeão da categoria e, de quebra, com direito a uma atuação excepcional no UFC 128, disputado em Nova Jersey, nos EUA.
Jon Jones (Foto: Agência AP)O americano Jon Jones (acima) venceu o brasileiro Mauricio Shogun por nocaute no terceiro assalto da luta que valia o título dos meio-pesados do UFC 128, disputado em Nova Jersey, EUA (Foto: Agência AP)
- Essa é a prova de que sonhos se tornam realidade. Acreditem em vocês mesmos. O cinturão significa muito para mim, mas agora sei que tenho um alvo preso em minhas costas. Mas garanto que estarei pronto para devolver qualquer golpe que vier ao meu encontro - disse Jones ao ser entrevistado, logo após a luta.
Já Maurício Shogun reconheceu a superioridade e a vitória de Jones.
- MInha estratégia era lutar com ele no estilo em que o combate se desenhasse. Agora tenho que parabenizá-lo. Ele foi melhor que eu. Jones é um lutador muito duro, e mostrou muita qualidade tanto no muay thai quanto no jogo de chão. Ele é o cara - finalizou o brasileiro.
A luta
Favorito nas casas de apostas mesmo sendo o desafiante, Jones mostrou no ringue a razão de ser considerado uma das maiores revelações do MMA (sigla em inglês para artes marciais mistas) do momento. Com um repertório variado de golpes e muita agilidade para um lutador de 1,91m, o americano não deu chances ao brasileiro.
A entrada no ringue mostrou o estilo de cada um dos lutadores. Enquanto Jon Jones manteve a atitude espalhafatosa ao subir ao octógono, o brasileiro seguiu discreto e concentrado, como de habitual.
O primeiro round foi totalmente dominado por Jon Jones. Após começar tentando joelhadas e chutes na cabeça do brasileiro, o americano conseguiu derrubar o campeão e impôs um duro castigo a Maurício Shogun, com fortes socos e cotoveladas. O brasileiro tentava encaixar a guarda e aplicar uma chave de braço, mas Jones se defendia bem. Mesmo após se levantar, Shogun foi novamente golpeado com muita força, indo para o intervalo entre os rounds em desvantagem e nitidamente abalado. O brasileiro parecia, além de tudo, cansado.
O segundo round começou como acabou o primeiro. Mesmo com Shogun tentando tomar a iniciativa do combate, Jones novamente conseguiu derrubar o brasileiro, e castigou-o duramente, não dando chances para que conseguisse se recuperar. O desafiante venceu novamente com tranquilidade.
No terceiro round, visivelmente debilitado pelo castigo sofrido nos anteriores, Maurício Shogun não conseguiu conter o ímpeto de Jon Jones. Aos 2m37s, após sofrer socos e joelhadas duríssimos na cabeça, o brasileiro caiu. Ajoelhado, ele foi golpeado impiedosamente por Jon Jones. Shogun chegou a bater três vezes no chão, o que significaria sua desistência, mas o árbitro Herb Dean já tinha feito o gesto de que o combate estava encerrado.
Veja os resultados dos demais combates da noite:
Erik Koch venceu Raphael Assunção por nocaute no primeiro round
Nick Catone venceu Constantinos Philippou por decisão unânime dos juízes
Joseph Benavidez venceu Ian Loveland por decisão unânime dos juízes
Gleison Tibau venceu Kurt Pellegrino por decisão dividida dos juízes
Mike Pyle venceu Ricardo 'Cachorrão' Almeida por decisão unânime dos juízes
Edson Mendes Barboza Jr. venceu Anthony Njokuani por decisão unânime dos juízes
Luis 'Banha' Cane venceu  Eliot Marshall por nocaute no primeiro round
Brendan Schaub venceu Mirko 'Cro Cop' por nocaute no terceiro round
Nate Marquardt venceu Dan Miller por decisão unânime dos juízes
Jim Miller venceu Kamal Shalorus por nocaute técnico no terceiro round
Urijah Faber venceu Eddie Wineland por decisão unânime dos juízes

quarta-feira, 9 de março de 2011

Anderson Silva é o "Melhor de Todos os Tempos"? Leia o que Michael DiSanto escreve sobre essa questão...

O espetacular nocaute de Anderson Silva sobre o ex-campeão até 93kg Vitor Belfort solidificou sua posição de melhor pound-for-pound do mundo.   
    
Vítor representou o último da lista até 84kg, pelo menos por enquanto. Isso pode mudar com o tempo. Talvez até mesmo a curto prazo. Mas quando eu paro para olhar, não consigo pensar em um único lutador que Anderson "precise" enfrentar.      
 
13 lutas no UFC. 13 vitórias. Oito defesas de título consecutivas com sucesso. Ambos são recordes no UFC, por ampla margem. 
      
Sem nada a provar na divisão dos médios, o que mais há para Anderson, além de perpetuar seu legado? Ele está mentindo se afirmar que não pensa sobre o rótulo de "Melhor de Todos os Tempos". Claro que ele pensa sobre isso. Todo lutador  quer se tornar o melhor a ter calçado um par de luvas de MMA. Anderson não é diferente. 
      
Novamente, Anderson é universalmente considerado como o maior lutador do mundo, pound-for-pound, e ele tem sido dono desse título por vários anos. Mas ele é o maior de todos?    
   
Randy Couture, certamente tem de ser incluído em qualquer discussão sobre o "Melhor de Todos os Tempos". Ele tem vários recordes em sua carreira. Couture sempre será lembrado como o primeiro homem a ganhar títulos em duas divisões diferentes, peso-pesado e meio-pesado. Ele é o único homem a ganhar o cinturão pesado do UFC três vezes. Ele também é o único homem a ganhar o título até 93kg duas vezes. Suas nove vitórias em lutas por título do UFC empatam com Anderson e Matt Hughes.     
  
Couture tem certamente uma reivindicação legítima ao título de "Melhor de Todos os Tempos".  Mas é preciso pesar o valor de ganhar em todas as divisões contra o recorde de Anderson em uma.  O brasileiro é um ex-competidor até 77 quilos, mas isso foi antes da sua chegada ao UFC. Ele também tem duas grandes vitórias até 93kg, incluindo uma sobre um ex-campeão Forrest Griffin, porém Anderson ainda não ganhou um título do UFC fora da divisão dos médios. Por isso Couture confortavelmente segura as pontas com o sucesso multi-divisão dentro do UFC.     
    
Onde Anderson se destaca em relação ao seu rival mais velho é no período de seu reinado invicto no UFC. A maioria das pessoas provavelmente irá se surpreender ao saber que a maior seqüência de vitórias do Couture no UFC, é de sete lutas, e ele perdeu três vezes fora do UFC finalizado. 'The Natural' nunca passou mais de quatro lutas profissionais sem prejuízos. E sua mais longa sequência de vitórias na última década é de três.   
    
Novamente, a definição da grandeza de todos os tempos ou aponta para Couture e seu sucesso em todas as divisões ou para Anderson e seu reinado inigualável nos médios. Não vamos esquecer também esse cara chamado Georges St-Pierre.   
    
GSP pode sacar Anderson deste debate, conseguindo uma vitória sobre o brasileiro numa futura luta de peso combinado que definiria quem é "o cara" do pound-for-pound. É uma luta, muitas vezes cogitada em bares e em fóruns na internet, e o presidente do UFC Dana White parece empenhado em fazer acontecer, se GSP passar por Jake Shields em abril.  
     
Para que conste, eu mudo de idéia o tempo todo. Um dia, eu acredito firmemente que não há razão para Anderson deixar o conforto da divisão dos médios. No dia seguinte, se torna um requisito para se tornar o melhor pound-for-pound.     
  
A verdade é que não existe uma resposta certa. Não até Anderson, Couture e GSP concluírem suas carreiras. O MMA tem uma história curto, e é impossível prever como os fãs vão avaliar as respectivas carreiras de Randy Couture, Anderson Silva e Georges St-Pierre daqui a 20 anos. Tudo o que podemos fazer é olhar para o boxe com mais de um século de história para alguma orientação.     
  
A maioria das listas Top 10 incluem alguma variação dos 15 nomes seguintes, sem ordem especial: Sugar Ray Robinson, Henry Armstrong, Willie Pep, Roberto Duran, Benny Leonard, Sam Langford, Joe Gans, Muhammad Ali, Joe Louis, Roy Jones Jr., Jack Johnson, Manny Pacquiao, Harry Greb e Floyd Mayweather Jr.   
   
Apenas seis dos nomes dessa lista não ganharam títulos em várias divisões. Três deles, Ali, Louis e Johnson, eram pesos pesados. Langford nunca ganhou um título mundial legítimo, mas isso aconteceu pelas realidades racistas de sua época, não pelo seu talento, já que ele derrotou muitos ex-campeões ou futuros de leves até meio pesados. Em qualquer outra época, Langford conseguiria títulos em várias divisões. Pep e Gans lutaram apenas em suas respectivas divisões, pena e leve. 
      
Contraste essa lista com os detentores de recordes de defesas de título na história do boxe. Louis detém a marca de todos os tempos com 25. Joe Calzaghe, Sven Ottke, Dariusz Michalczewski, Bernard Hopkins, Eusebio Pedroza, Wilfredo Gomes, Khaosai Galaxy, Pongsaklek Wonjongkam e Ricardo Lopez possuem históricos feitos em suas respectivas divisões, mas raramente se vê qualquer um desses nomes pipocarem em listas dos melhores pound-for-pounds de todos os tempos.   
    
Portando é seguro afirmar que a alegação de Anderson Silva para "Melhor de Todos os Tempos" seria mais convincente nas próximas décadas, se ele for capaz de subir de peso para capturar o cinturão até 93kg. Defender seu título médio por mais umas duas vezes não vai melhorar muito seu legado, a menos que ele queira estar mal rankeado nessa lista.     
  
Se eu fosse da equipe de Anderson, eu acho que o caminho para solidificar o seu legado é muito claro. Ele deve primeiro enfrentar GSP, supondo que o canadense passe por Shields.   
    
Essa luta tem tudo para ajudar a definir o legado de GSP. Ela não traz muito para Anderson. Vamos ser honestos por um momento. A diferença de tamanho entre os dois vai ser chocante. Se GSP vencer, será uma das maiores surpresas de todos os tempos. Se Anderson ganhar, ele bateu alguém que deveria vencer, independentemente da grandeza de GSP.    
   
No entanto, é uma luta que tem que acontecer. GSP quer. Os fãs exigem. E a Zuffa reconhece que pode muito bem ser a maior luta da história do UFC. Por isso, faz muito sentido a partir de muitas perspectivas, com exceção de Anderson.      
 
Levando em consideração que Anderson passe pelo teste GSP, eu acredito que ele deveria desafiar imediatamente o campeão dos meio-pesados. Sem delongas, suba de peso e tente fazer história. A única coisa que ninguém foi capaz de realizar, nem Couture e nem BJ Penn (que é o único campeão de duas divisões, na história), foi ser dono simultaneamante de cinturões em duas categorias. Anderson tem o tamanho e as habilidades para fazer exatamente isso.     
  
Em seguida, deve defender os títulos, subir e descer de peso até a sua sorte se esgotar. Se Anderson conseguir reunir duas ou três defesas em cada peso, ele será sinônimo de grandeza no futuro. O outro final seria ganhar o título dos meio-pesados e se aposentar no dia seguinte.   
   
Acho que Anderson precisa ser muito cuidadoso, ao lutar na categoria de cima sem cinturão envolvido. Esses são os riscos desnecessários. Vencer não melhora o seu legado e perder esmaga, porque elimina o argumento de seus fãs que Anderson poderia ter dominante até 93kg, assim como fez até 84kg. Esta tese é fundamental para o argumento "Melhor de Todos os Tempos", se o campeão não subir de peso e lutar pelo título.     
  
Silva é o "Melhor de Todos os Tempos"? Baseado no que ele fez até hoje e o que aconteceria se ele enfrentasse Mauricio 'Shogun' Rua, ou qualquer outro campeão meio-pesado, que não seja especialista em ground and pound, é difícil argumentar contra ele.